Quando chegamos ao Maranhão, no fim do ano retrasado, resolvemos percorrer toda a Região Nordeste.
Os meses que se seguiram foram bastante agitados: prenderam o tenente Paulo Krüger, tivemos uma batalha bastante complicada em Teresina, o Tenente Juarez Távora foi capturado no Ceará e tivemos uma batalha contra o levante comandado pelo padre Aristides Ferreira da Cruz, na Paraíba.
Mas o principal aconteceu quando chegamos a Minas Gerais. A reação era tão forte que não conseguimos conte-la, sendo obrigados a mudar de rota e refazer o trajeto Nordeste, Goiás e Mato Grosso.
As investidas do governo estavam saindo de nosso controle e estávamos todos exaustos. Então, consultamos o General Isidoro Lopes, que se encontrava na Argentina, para saber o que valeria mais a pena: continuar a luta ou rumar para o exílio.
Ir para o exílio foi a estratégia escolhida. Em fevereiro passado,a parte da Coluna comandada por Siqueira Campos rumou para o Paraguai e outra, comandada por Lourenço Moreira Lima, acabou por refugiar-se na Bolívia.
E assim acabou a Grande Marcha. Foi uma experiência válida, pois nos deparamos com situações antes inimagináveis e passamos a ter um pouco mais de consciência sobre a realidade do povo de nosso país. Além disso, eu creio que apesar de não termos alcançado totalmente nossos objetivos, demos um passo extremamente importante para acabar com regimes oligárquicos que comandam nossa pátria.
Tenente Campos
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